terça-feira, 28 de julho de 2009

Suicídio paraguaio



Essa é uma carta de despedida.

Durante os últimos vinte e cinco anos vivi a vida ao limite, amei demais, sofri demais, me diverti demais.
Nasci no meio de uma família incrível que me deu uma educação torta e me preparou bem pra enfrentar o mundo de frente. Fiz amigos maravilhosos que me ensinaram os detalhes da vida a dois, a três, a vinte. Cresci cercado de uma penca de irmãos lindos, ao lado dos quais aprendi a chorar e a rir. Amei mulheres cada vez mais lindas e interessantes que me mostraram direitinho o tipo homem idiota e o tipo de homem de verdade que eu sou.
Desfrutei de uma liberdade quase perpétua que me acompanhou desde os primeiros passos, no meio mato, passando pela fuga da escola decadente na capital, o abraço ardente e duradouro à metrópole até esses primeiros passos tímidos mundo afora.
Aprendi a caminhar sem cansar, a trabalhar sem cansar, a festejar sem cansar. Ouvi música, consumi, gozei, amei, corri, viajei, fugi, esperei, criei, destruí... Plantei algumas árvores, escrevi várias bobagens, nunca tive um filho.
Atravessei essa curta vida desfrutando das amizades pra além do que era possível, errei em medidas descomunais com quase todos, me entreguei de corpo e alma sem usura também. Não preciso citar os nomes dos seres amados, semi-amados, admirados ou respeitados que me rodearam por toda essa jornada. Nós nos sentimos.
Nos últimos dois anos passei por experiências muito intensas, aprendi muito sobre novas alegrias e tristezas espalhadas por aí. Nos últimos quatro anos, amei a pessoa que mais me ensinou sobre o outro, eu mesmo. Aprendi a amar e odiar outras coisas, diferentes das de antes. Durante a última década, aprendi a trabalhar e usar meus recursos e loucuras, "imprimindo" tudo isso no mundo.
Acumulei inimigos e odeio mais pessoas do que posso suportar também.
Nos últimos meses aprendi que não sou mais esse aqui.
Talvez sobrecarregado de tanta informação, tantas decepções, tantas conquistas,
tantos amigos, tanta coisa nova, eu tenha cansado de processar tudo isso da mesma maneira. Pois, é hora de entregar os pontos e partir pra outra.
Eu agradeço a todos que amo por tudo de lindo que me deram, em tanto excesso. Peço desculpas pelas ausências e decepções que causei. Portanto, me esqueçam de vez ou me deixem só ali, na lembrança mesmo. Já não caibo mais em mim desse jeito e enjoei de uma vez desse tipo de caos. Quero outro.
Esse aqui acabou.

Adeus.

Vou começar tudo do zero agora. Tudo de novo.
Oi, prazer em conhecer...

8 comentários:

Mayra disse...

é uma grande arte, essa do recomeço. e é a única maneira de viver pra sempre. prazer, eu sou a mayra.

Paty disse...

Adoro ser surpreendida. Isto alimenta a minha alma. Contribui para que eu ganhe mais folêgo! Paraguaio nunca nos abandone...Paty.

Anônimo disse...

eu tb acabei de morrer. muito prazer, sou a juliana.

alfurreca disse...

era uma vez...

Pedro disse...

Apesar de sempre gostar da idéia de recomeço, você sabe bem que eu te amo pelos defeitos, né?

erica disse...

sou péssima em colocar ponto final. eu continuo. e vou devagarinho ensaiando, com vírgulas e pontos de interrogação. mesmo já tendo sacado que finais definitivos são uma farsa. é mudança. não menos assustador. tenho saudade, mas adoraria te conhecer. um beijo!

grão imagem disse...

o prazer foi meu...
espero continuar sendo.

ivana debértolis disse...

muito bom. voltarei sempre.