quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Sopa de Letrinhas



Batata, cenoura, vagem, grão-de-bico, cebola, alho, gergelim, pimenta-jamaica, 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, A, B, C, D, E, F, G, H, I, J, K, L, N, O, P, Q, R, S, T, U, V, W, X, Y, Z e sal a gosto.


Acontece que a sopinha, feita com tanto amor, tinha aquele gostinho tosco e singelo de comida caseira. Toda reconfortante, a sopa foi preparada com carinho e amor, com o critério de quem quer bem e quer ver crescer. Carinho de vó, de tia, de mãe, de cozinheira velha. Requentada com leite, rançosa e infantil, o cheiro, o gosto e aspecto programados pra grudar na memória pra sempre, levando consigo uma informação complexa: "amo-te".

O esquisito disso tudo é que no fim de tudo quem comeu a sopa fui eu. Eu, que no começo fiz a sopa para a bebê. O bizarro foi despejar todo esse amor e carinho numa panelinha, requentar e engolir tudo isso de volta. Curioso foi me sentir amado por uma figura abstrata, aquele Eu que ontem fez a sopa... Na sopa de letrinhas tinha tudo lá, pra quem comesse. Sem desperdício, os ingredientes provenientes de mim permaneceram ali, intactos, e voltaram todos, quentinhos.


Não sei se me faço entender. Foi como um vampiro sugando o próprio sangue ou um tupinambá comendo a própria perna.


Aí que, acalentado, seguro, lembrei de umas coisas. Lembrei que tenho que ir mais longe, lembrei que quero mais, lembrei que posso e que devo ir bem mais além... Lembrei que eu tô indo.


Vamo lá.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Hora do fecho





Dói menos não saber, não ler, não crer. Dói menos não fazer, levar, dói menos parar. Dói menos esquecer, deixar, ceder. Dói menos fechar. Agora, né, tudo aqui, sendo. Os pássaros – péssimos – oram, horas antes daí, Brasil, por culpa do Sol, sempre enérgico, ao menos aqui, explícito, vulgar, esquentando e acordando esses bixos, me dando sono e uma raiva celsia. Parar um pouco e lembrar de escrever: Hoje, sério, esqueci do "b", do bê minúsculo cursivo, com a mão. Como faz? Da bic no branco não saía nada, nem mesmo aos tapas que dei, delicados e rancorosos, na testa. O bê não saiu e eu tive que fazer uma busca por imagens de bês cursivos. Foi desse jeito que eu re-aprendi a escrever um bê essa noite. Isso hoje. Doeu. Doeu como o quê. Hoje, ou ontem, ok, aprendi que estou mais errado que antes, pois sei mais sobre antes. Hoje entendi um pouco mais desse amor, dessa praga que me preenche pulmões mais que o ar, que me ajuda no grito mais que o ar, que me faz gozar mais que a porra. Porra, não morra amor, não escorra. Aí vem mais o que fazer. Esse futuro, tão teu menino, não existe, nem daqui a pouco nem nunca, é agora! Corre! Corre pro agora! Precisava escrever um bê com o mouse, carecia mesmo. A palavra "brand" não faz sentido sem bê. A palavra "brand" sem bê é dinheiro na África do Sul, tá, mas em Moçambique é erro e no layout das marcas né nada. Daí, o quê fazer, grafite, filme, michê? Doismiledez tá chegando, vê, dói saber. A vida continua, panacas, perdidos, sou bem pior que vocês. Vamos lá, mas um ano, mas um BBB, mais karaokê na Liberdade, mais nãoseioquê, queria mandar todo mundo se... queria mandar todo mundo se arrumar pro fim do ano, mas não cair no clicê do branco outra vez.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Trutas e quebradas


Jardim Vaz de Lima, Três Estrelas, Imbé, Paranapanema, Parque, Jardim Lídia, Bela Vista. E aê Lô, Dão, Silvão, Luis, Jacaré, Edston, Jura, Ivan, Kiko, Rodrigo, Família Pessoa mó respeito. Família Jesus, família Andrade, Joãozinho, Rogério, Rodne, Kiko, Ed, Seu Veleci brilha no céu. Cássio, Bola, Perninha, Jarrão, Celsa ta ae diz ae bandido, Chácara, Casa Verde, São Bento, Independência, Grajaú, Vila São José, Morro São Bento de Santos e ae toda a rapa. Juninho, Dinho, Rafa, Mala, Vitor, Roberto, Marquinho, Davi, Meire essas são as pessoas que tricô nas horas dificéis, certo? Valdir, Sandra, Bebe e Fátima, Time Tranbicagem, Diego, Pachá, Larrói, Wilian, Cora, Paulinho, Bicudo e Tico e Catraca, Fernando, Lobão, Paulinho, Mateus só os fortes sobrevivem, Tia Vilma, Tia Maria e Tio Celso. Não sei de nada, não salvo e amo quem me ama, desprezo o zé polvinho e amo a minha quebrada. Obrigado Deus por eu poder caminhar de cabeça erguida. Ae Jaçanã, Serra Pelada, Jardim Ebron de fé, Firmeza Valcinho. E ae 9 de julho, é nós! Wellington, Pulguento, tá valendo, Calibre do gueto, Raciocínio das ruas, Relatos da invasão... é a caminhada certa. Serrano, resistente, firmão. Ei, Valdiza sem palavras hein. Jairão tá no coração, irmãozão! Garotos de periferia sacode a rede que vocês são o amanhã, certo? Vila Mazzei forte abraço Jó, Marcelo boy, Jardim Tremembé te espera, Cachoeira, ei Dédo muita fé hein, Voz Ativa, Pasto, Nova Galvão, Resgate Negro, Jalwa última chance, Vila Zilda, Piquiri, Richard, Nino, Madá daquele jeito, Fontales, Lakers, Zé Hamilton, Luis Barba, Vila Sapo valeu! Claudinei, Sidnei, Mário Jardim Perí, Branco da Rocha, Anderson de Itu, Jackson esqueleto de Porto Alegre muita treta, Cristiano, Santista, bairro do Limão, Dona Dóris e Seu Ourides cuidando da molecada. Itaquera, Cidade Tiradentes, São Miguel, Sâo Mateus, Mauá, Santo André. E ae Edson, pq não? Zona Sul... e ae Zona Sul! Zona Oeste firmão! Cumbi, Carujá, Cocaia, Natanael movimento de rua, Miltão Costa Norte, Edmilson, Albertão de Guarulhos, Cidão de São Miguel, 509-E e todos aqueles que fortalecem o hip-hop aí, firmezão é nós! Ae Diadema, Gildão, Alexandre, Toda rapa do clube do rap valeu mermo, hein? Alô alô Zona Leste, Itaquera, Codorna, Xis, Treze, Duda, Eltão, Fabinho, Tupac da Coab, pô esqueci dos demais, mas aí desculpa aí, tá no coração hein. E aí Tucuruví, Zona Norte, Jó, Adí, Baiano, Dodô, Miliano hein, Claudinei, Sidnei, Zé, Cebola, Panão, E aí Fubá, achou que eu não ia lembrar truta? Cê tá ligado né? E ai Lauzane saudades dos que se foram e dos que ficaram muito respeito, hein. À toda Zona Oeste páá! Alô alô nani, firmeza total. Zona Sul sem palavras, muito obrigado pelo respeito hein. Mas aí, bora ir então? firmão! Alô alô Coyote, Décio, Jeferson, Ébano, Núbio, James, Rappin Wood, Johnny Mc, Camal, Max PO, JL, Paulo Brown, Meire, Micheli, Levir, Fátima, Tatiane, Cebola, Sabotage, Sombra vivo aí À Jesus Cristo que não me abandona. Vila Fundão Caio, Japonês, Corró, Binho, Keu, Carlito, Du, Ronaldo, Vagner, Chibimba, Cacá Palmeirense, Gatula, Paraibinha, Jardel, FF, Davi, Sóssa, Fubá, Valtinho, Vandão, Paulo Magrão, Rua Aglicio em peso, Ceblola, Gordo. Aí rapa, aí negredo, Natal, Nelsinho, Lecão, toda rapa da sabinha. Charles, Richard, Neno, Gordinho, Alan e os irmão cara de pau. Toda rapa que cola na barraca do Saldanha. A rapa do Rosana, Valquiria. Paz para o Jardim Irene, Rosas, Macedônia, Maria Sampaio aí primo Edson, Cesinha, Ratinho, a rapa do engenho, Jerivá, Aurélio, Sora, Cone, firmão Coab, Paí, Parque Fernanda, Comercial, Benê, Jota, Araponga, Wiliam, firmão Pirajuçara, família Santa Rita, Di, Ivan, Selé, Alex, Boi, Jó, Márcio, Marcílio, Mimi, Gege, Daniel, Miltinho, Paulinho ae Santo Eduardo. Firmão tuá, firmão Ricardo, Nirron esteja em paz! Campinho, Beira Rio, Vietnam, Rua Alba, Souza Dantas. Aí Jardim Evana, Santa Ifigênia, Ipê, Novo Oriente, Regina, Jardim Ingá, Maria Virgínia, Morro da Puma, Favela da Coca-cola, Morro Dunga, Morro da Macumba, São Vitor, Pedreira eterna morada Jardim Santa Teresinha, Jardim Apurá lugar lindo hein! Família Camorra, Charuto, Dinho Lê, Família Sem Querer, Família da Joaniza, Testa, Fábio Gordo, Sete Vida. Aí Josias, aí Scooby Doo, Serginho, firmão Edinho. Zé Roberto, Tico, Rock, Marquinho, Neto, Leci, Guineto. Deus abençoe a todos, obrigado pela companhia.

...

Aí Pedro, Julio, Ângelo, Eduardo, Gisele, Mistu, Miki, Miwa, Freddie, mana Flora, Miguel Young, treeeta, hein? Os truta que cola lá na Mourato Coelho, os mano da Augusta, do D-edge, do Mestiço, das galeria de arte.
Poli, mil fita,hein mina? Aí família Trip, mili ano! Família Abril, Família Folha, Pliger, Asta, Jana. Alphaville, Brooklin, Fotosite, Pix, Cia de Foto, Bob, Pisco, Bia, Soubhia. A todos os gays que representam o movimento, Caio, Mário Mendes, Requena, Maurício. Alô Sumaré, alô Eva, Aninha, Ian, Belleza, Jarbas. Um salve aí pra Pompéia, Ana, Bruno, Marcelo. Aí turma de Higienópolis, família Schochat, Dedé, João Fellet. A turma do trampo milionário em Angola, Mayra, Ju, X, Prado. Um salve aí pro Cássio Brandão da ZN, tá valeno. Deus abençoe a galera dos Jardins, Letícia, Rapha. Suave. Só, aí, não lembrei de todo mundo, mas São Paulo tem 16.000.000 de habitantes. É NOIZ!



Querido diário



Ontem encontrei-me com meu
arqui-inimigo virtual. Comemos carne de avestruz e fizemos algo que ja devia ter acontecido muito antes: nos conhecemos melhor. Só espero que não nos entendamos bem demais, isso daria fim a muitas polêmicas ainda por vir.

Mas aqui estou eu, outra vez, escrevendo sobre coisas que aconteceram, que fazem sentido... Vou parar com isso agora mesmopandf aidsboibnfipvdnsopConheça os melhores hotéis da sede dos jogos de 2016!imaosdv ikdf v kmsdcamskcmaonvianvioanv!

Pronto

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Para o desinteresse geral



Tem coisas que eu simplesmente amo nos japoneses.

Hoje comemoro o meu aniversário, atrasado alguns dias, sentado na mesa de um bar, enquanto alguns amigos em casa preparam uma festa-surpresa que eu inventei pra mim.

Na mesa ao lado, dois amigos japoneses, incrivelmente descontextualizados, soltos numa cidade africana, conversam num tom que, pra mim, chega a soar familiar. Ao lado deles, um raro exemplar de pai de família de classe média moçambicano desfruta, juntamente com suas duas filhas mais velhas, alguns coctails bem coloridos. A caçula, de uns nove anos, dança ao som de Like A Virgin melhor que a própria Madonna, mesmo sentada numa cadeira, comendo pudim de natas.

Um Hummer amarelo, com direção do lado esquerdo, aterrissa logo em frente da entrada. Dois gajos de óculos Gucci escuros, ignorando o fato de estar de noite, saem do veículo e entram no estabelecimento apenas para chamar sua malta, que sai sem pagar a conta – Angolanos.

A menina, os angolanos e as acácias plantadas ao redor, resumem o que se pode chamar de africano no cenário. O bar com nome italiano na avenida Julyus Nyerere de Maputo exibe uma decoração plástica, iluminada, moderna e um bocado brega, tal qual um bar dentro de um shopping center em qualquer lugar.

Os tais japoneses da mesa ao lado, por fim, fumam compulsivamente cigarros dum maço de insosso Dunhill branco, bebem paints de cerveja Laurentina Preta alternando despreocupadamente colheradas de gelatina tutti-frutti.

Amo japoneses.

...

p.s.: Saudades de Miki, Mitsu, Miwa, Débola, Angelo, Jana, Reca, Telma, Beto, Luciana e dos outros amigos japas espalhados por São Paulo.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Sobre Amar Eternamente


Incrível viagem no tempo pro lugar bizarro que foi essa infância. Presente de aniversário editado pelo meu irmãozinho Caetano. Amo vocês meus irmãos.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Vinte e Seis




Lalaiá...

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Ela sabe o que quer

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Good Morning Mozambique

Aí ficou de manhã...


quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Jesus Is A Rock In The Weary Land





Esse é o meu garoto!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Os ıs sem pingo e os ïs com dois ou mais pingos


"Gravando — O ar parou. O frio no peito se foi, todo calmo. Aí, o mundo estabilizou na temperatura correta. Tô pronto pra mais pancadaria agora. Provavelmente, agora que eu tô ficando bem, eu vá parar de escrever. Provavelmente pare de desenhar e contar boas piadas também. Acho é aquela fase chata de pôr pingos nos ıs. É bom respirar, mesmo triste, é bom respirar e saber de onde vem a tristeza, poder olhar pra ela e ver ela ali, agonizando. O agora fica aqui, como uma fita k7, passando e tocando música sem mostrar nada no display. É bom perceber algumas melodias desse agora, são lentas, novas e até belas. É bom. Eu comprei uma máquina fotográfica toda bonita, eu tenho um cão, eu tenho uma bicicleta e um tênis colorido. Eu tenho muito mais. — Fim da gravação."

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Infinito Ganha De Todos



...E agora eu preciso viajar. A mala já está pronta, o mundo parece mais manso e aquelas unhas enormes que as coisas tem já não doem tanto quando arranham. Depois de dobrar tudo em pequenos rolos e enfiar na minha cabeça, sentei em cima e dei uns pulinhos até conseguir prender a presilha.
Muito bem! — grita alguma parte inofensiva do sujeito — Vai catando essa papelada aí, e essa sujeirinha aí também, queima o que sobrar, escaneia tudo e depois taca fogo no scanner também! Você deve deixar tudo como quando lhe foi entregue. Está no contrato... Isso mesmo, assina o contrato.

Olha, Depois que essas coisas começam a acontecer não resta muito do sujeito, não.


Outro dia, né, eu fui novamente até aquele cubículo para fumantes do prédio. É o tipo de lugar onde, além de um pouquinho da sua saúde, o cigarro acaba te tirando aquela pontinha de dignidade que o trabalho parece oferecer, e o charme pigarrento prometido nos filmes. Só mais um com os dentes amarelos. Você se lembra toda vez que entra lá que jamais terá os culhões necessários pra fumar no meio da redação e cuspir a fumaça na cara de quem vier reclamar. Lembra-se, subretudo, que qualquer coisa nesse sentido seria algo bem idiota de se fazer. E, fora aquele povo detestável, digo, todos aqueles do marketing mais todo o resto quando estão nas salas de reunião, você, enquanto fuma, é a pessoa mais próxima no prédio do que um dia foi um rio chamado Pinheiros. Você fede, e está de frente para a coisa mais fedida que se pode conceber. Não sei se existe uma medida pra isso. Se não existe deveria existir, e de fato, é óbvio que existe, mas eu realmente não sei do que se trata. Tipo assim, decibéis de cheiro, de fedor e tal. É que, na verdade, aquilo é uma monte de fedor escorrendo e usando um rio como desculpa pra isso. Foi lá que eu vi um avião enorme caindo, isso enquanto a porta do fumódromo se fechava e eu instintivamente me preparava para alertar a todos sobre o desastre. Isso durou milésimos de segundo, mas aconteceu, na minha cabeça, é claro, depois passou.


Imagine-se todo fatiado, junto da mulher que você ama, e ela também está toda fatiada. mais ou menos como postas de salmão, ou pepino picontado numa salada ornamental. E vocês tão mortos, acabou, já era! Daí vem o Nick Fury e te veste numa roupa de mergulhador de forma que você fica coeso de novo, inclusive, vivo de novo. E a sensação das fatias do seu tronco escorregando umas nas outras é bem agradável na verdade. Pois eu ainda estou tentando interpretar esse sonho...

A novidade de Brasília, dessa vez veio de um amigo que mora com minha irmã. A Rai, que é empregada doméstica da casa tinha motivos de sobra pra se chatear naquele dia. Acontece que a mulher dela passou muito mal, sua vagina sagrava às bicas enquanto Rai desesperada a levava pro Hospital de Base. Talvez naquele momento Rai se concentrasse em, de alguma forma, diagnosticar o problema. "Deus é que costuma fazer essas coisas estranhas..." pensara Raimunda, "...mas pode ser outro tipo de doença mesmo". Num ôniubs lotado, os pés dos passageiros se melecavam com o viscoso gel sangrento que brotava por entre as pernas de sua amada, misturado com toda aquela lama dos sapatos em dias chuvosos e o gorfo ultrajante dos bêbados que voltaram do bar no primeiro turno. As janelas, que fechadas protegiam todos do temporal, deixava tudo consideravelmente mais difícil de lidar. Uma hora ou duas depois elas já estavam no ambulatório onde foi diagnosticado o problema: Uma criança. Ah, isso deixou Rai meio P da vida. É evidente que ela jamais depositara material genético adequado para fazer uma criança florescer do ventre de sua mulher – mas até que era bonitinho. E o menino foi batizado: Felipe. Eu é que não poderia sonhar com alguma coisa assim. Imagine só, Antônia, a que pariu, não tinha a menor idéia que estava grávida até então. Parece que tudo tem um pouco a ver com os mais de cem quilos de banha que ela carregava em seu próprio organismo a mais de quinze anos. Não sei direito. Elas ainda não resolveram a questão do óbvio adultério. Não importa. Enfim, nada disso alterou em de fato a minha realidade, mas mexeu um pouco na forma de entender as coisas. Não sei direito como ainda.

Isso foi um sonho, depois uma lembrança, depois uma coisa que eu ensinei pra alguém tão ingênuo quanto eu, depois foi um sonho e agora é só uma lembrança. É simples assim: papai e mamãe caminham em direção à luz, a sementinha sai do papai, entra na mamãe. Isso, num lugar cinza, quase preto com uma luz quase amarela no fundo. Papai e mamãe não passam de uma silhueta mal desenhada, e a sementinha, não por acaso, tal como uma bola-de-gude daquelas que podem simplesmente sair voando de debaixo das pernas do papai para a da mamãe faz exatamente isso que ela é capaz de fazer. Sai voando de um pra outro enquanto os dois prosseguem com as mãos dadas. Depois se enterra a mamãe por nove meses, ao lado do supermercado popular da 413 Sul, num caixão especial e tosco com espaço pra dois corpos. Não se esqueça de escolher um cadáver bonito pra colocar ao lado da mamãe, de preferência de algum avô ou bisavô dispensável, e dá um pouquinho de maconha pra mamãe relaxar. Nove meses depois, peça autorização pro gerente do supermercado, viole a cova e retire a mamãe e o bebê que estará bem desconfortável por entre os ossos duros do ente querido escolhido. Limpe o bebê, dê-lhe um tapinha no bubum. É assim que os bebês nascem, seu bobo.

"Escolha a realidade adequada, se esforce um pouco menos que costuma fazer para vencer a prisão de ventre, e depois pare de ponderar, vai ser tarde demais" Teria dito um velhinho da montanha caso não tivesse morrido de fome, frio e asfixia e depois ser devorado por abutres. No mundo ocidental poderíamos interpretar isso como "Eu poderia estar matando, roubando, mas estou aqui, pedindo esmolas como um tolo pobre e sujo". É o que sempre dizem esses mendigos antes de morrerem de fome, frio ou bala perdida e depois serem devorados por tablóides pouco menores que abutres. Eu poderia estar limpando seu carro, te servindo piizzas ou passando panfletos, mas estou aqui, humildemente pedindo para estudar um pouco, como um pobre tolo e sujo. Ah, eu também preciso de amor, dinheiro e álcool. Por fim, deixe-me esvaziar essas malas que já estão pesando muito.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

wake up X sleep down


Pior que ir dormir é acordar.

Às oito da manhã a cidade pulsa, os chapas rasgam o asfalto, os homens trabalham e fingem que trabalham, as mulheres idem. Os sol africano no inverno acalenta as peles pretas, brancas e arábicas do povo que, acordado, se cruza, se ignora e vive lá fora. O tele-móvel apita o despertador, o povo liga, o chefe bufa. O mundo pega fogo todo dia a essa hora e me diz tudo o que eu quero ouvir: nada.
Apodreço livre nessa morte cotidiana onde somente os sonhos fazem cócegas. Depois eu nasço a seco outra vez. Outro parto, outro trauma. Pequenos relâmpagos pulsam com ruídos de uma letra só: "c!", "o!", "n!", "s!", "c!", "i!", "ê!", "n!", "c!", "i!", "a!", aí eu choro minha primeira palavra: "merda".
Me arrasto ao banho, café, ao chapa, e chego quase vivo ao trabalho. São onze horas e eu não vejo a hora de morrer outra vez.
Às quatro da manhã, feliz da vida, me preparo para mais uma morte certa. Cada cena dessa vida, desse dia, passa em um segundo pela minha cabeça e eu descubro que queria mais. Morro aos poucos, sozinho, sem socorro, mergulhando no concreto de sono que me separa do mundo outra vez.
Pior que acordar é ir dormir.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Malagueta



Ela é só uma amiga com quem dividi um par de meses tentando fazer algo bonito num lugar muito feio. Tentando convencer pessoas feias de que as coisas bonitas valem a pena. Então eu fui embora, o lugar feio não faz mais parte da minha rotina.

Hoje li um texto dela e coisas bonitas me vieram ao coração. Tive inveja dela, porque é generosa e eu queria ser também. Apenas fazer o bem e ser livre. Uma liberdade de pensar nas pessoas sem ter tantos limites, de flutuar em grupos e galeras de maneiras simples e belas. Essa é minha idéia, não que seja assim. Não sei como é. Sei que queria ganhar dinheiro sem ter que pirar e me afastar de todos. E isso eu sei que ela faz.


Também teve o tanto que ela já escreveu sobre tantos, a facilidade de se entregar e encarar as pessoas sempre, coisa que eu não tenho mesmo. Tô sempre fugindo. Tiveram tantos sobre Ela e tantos Outros e Outras. Queria ter vivido esses.

Penso demais no que eu quero e vejo que é hora de querer de novo. E fazer mais força pra ser o que alguém melhor pros outros.

Estamos quites, prazer em conhecer...

quinta-feira, 30 de julho de 2009

terça-feira, 28 de julho de 2009

Suicídio paraguaio



Essa é uma carta de despedida.

Durante os últimos vinte e cinco anos vivi a vida ao limite, amei demais, sofri demais, me diverti demais.
Nasci no meio de uma família incrível que me deu uma educação torta e me preparou bem pra enfrentar o mundo de frente. Fiz amigos maravilhosos que me ensinaram os detalhes da vida a dois, a três, a vinte. Cresci cercado de uma penca de irmãos lindos, ao lado dos quais aprendi a chorar e a rir. Amei mulheres cada vez mais lindas e interessantes que me mostraram direitinho o tipo homem idiota e o tipo de homem de verdade que eu sou.
Desfrutei de uma liberdade quase perpétua que me acompanhou desde os primeiros passos, no meio mato, passando pela fuga da escola decadente na capital, o abraço ardente e duradouro à metrópole até esses primeiros passos tímidos mundo afora.
Aprendi a caminhar sem cansar, a trabalhar sem cansar, a festejar sem cansar. Ouvi música, consumi, gozei, amei, corri, viajei, fugi, esperei, criei, destruí... Plantei algumas árvores, escrevi várias bobagens, nunca tive um filho.
Atravessei essa curta vida desfrutando das amizades pra além do que era possível, errei em medidas descomunais com quase todos, me entreguei de corpo e alma sem usura também. Não preciso citar os nomes dos seres amados, semi-amados, admirados ou respeitados que me rodearam por toda essa jornada. Nós nos sentimos.
Nos últimos dois anos passei por experiências muito intensas, aprendi muito sobre novas alegrias e tristezas espalhadas por aí. Nos últimos quatro anos, amei a pessoa que mais me ensinou sobre o outro, eu mesmo. Aprendi a amar e odiar outras coisas, diferentes das de antes. Durante a última década, aprendi a trabalhar e usar meus recursos e loucuras, "imprimindo" tudo isso no mundo.
Acumulei inimigos e odeio mais pessoas do que posso suportar também.
Nos últimos meses aprendi que não sou mais esse aqui.
Talvez sobrecarregado de tanta informação, tantas decepções, tantas conquistas,
tantos amigos, tanta coisa nova, eu tenha cansado de processar tudo isso da mesma maneira. Pois, é hora de entregar os pontos e partir pra outra.
Eu agradeço a todos que amo por tudo de lindo que me deram, em tanto excesso. Peço desculpas pelas ausências e decepções que causei. Portanto, me esqueçam de vez ou me deixem só ali, na lembrança mesmo. Já não caibo mais em mim desse jeito e enjoei de uma vez desse tipo de caos. Quero outro.
Esse aqui acabou.

Adeus.

Vou começar tudo do zero agora. Tudo de novo.
Oi, prazer em conhecer...

terça-feira, 7 de julho de 2009

Milk e as Esferas do Dragão 牛乳とドラゴンボール


Leite: é assim que se faz legenda, mas tem que ser até o final da foto – pra ficar legal


O fato de não podermos imaginar a esfera perfeita, não indica que ela não existe


Dragões-de-komodo: esse é um dos pequenos e foi pego caminhando na praia

Harvey Milk não era nenhum cagão, reuniu de uma vez as sete esferas do dragão. Para o efeito de com o preconceito no mundo detonar ele fez um desejo: "como supervisor público eu quero ar-ra-sar". Goku que não era bobo nem gay ficou todo estressado com isso. Super-estressado. Deu um shoriuken que deixou o Harvey queimado. Mas não foi ele nem nada que matou ou Milk, o supervisor afetado, quem matou foi um outro cara chamado White. Sem poderes. Só com poderes políticos. Ele tinha uma pistola, contudo. O Goku, do Dragon Ball nunca apareceu nos livros de história, nem no filme do Milk. E eu nunca vi o Harvey Milk no desenho do Dragon Ball, na época que eu assistia. Nos mangás também, nada. Mas eles lutavam pela justiça. Cada um do seu jeito. Um com rabo de macaco, o outro, todo sensato, ficava ofendido por todos. Era uma pessoa legal, brilhante e tudo. Fizeram um filme pra ele por isso mesmo. A estória é ótima. Mas e o Dragon Ball? Ninguém poderia dizer nada da amizade de Goku (na versão adulta já) com Milk. Pudera, na época nenhum desenho animado ou gente mesmo, hetero, podia ficar amigo de um gay assumido e ficar na boa. Goku tinha rabo de macaco quando era criança, e um monte de amigos esquisitíssimos, uns verdes, outros roxos, até amigo rosa, mas mesmo assim, ninguém ficava, digamos, confortável, com Milk por perto. Nos dias de hoje não é mais tão assim, mas Milk tá morto e Goku virou personagem de filme, o que é muito chato. Mas não é chato pro Milk, que é uma pessoa de verdade, ou era, antes de ser um cadáver de verdade. Ra ra ra ra. Piccolo tinha planos de dominar o mundo, mas foi morto por Goku. No fim terminaram lutando juntos. O Golpe que Goku deu em Milk, o golpe luminoso, não foi fatal. E depois disso ficaram amigos. "Ele imaginou um mundo virtuoso dentro de sua cabeça e, em seguida, ele tomou providências para criá-lo de verdade, para todos nós". Essas foram palavras da Anne, a assistente de Milk. Sobre Goku, Anne, lésbica, nunca se pronuciou. Eu que não vou ver o filme do Dragon Ball. É isso aí! Na boa, genial!
あなたファック

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Sobre virar pedra



A Física da Pedra:
Enquanto algumas moléculas um tanto instáveis reúnem-se pra preencher o espaço vazio deixado pela última explosão nuclear, neutrinos sem assunto agarram-se desavisadamente a qualquer núcleo carregado com o mínimo de energia positiva — é por isso que os ossinhos que ainda restam do Einstein reviram-se em agonia dentro daquele buraco.

Pois, meu corpo, composto 70% de H2O tá virando pedra. Eu acho. Não é gelo, não, é um tipo besta de silício cinza feito da tal água misturada com dor-de-cabeça e matéria escura. E ninguém sabe o que é matéria escura, só sabe que ela tá lá. Dor de cabeça todo mundo sabe o que é, onde fica e quanto pesa.

Vou virar pedra. Pedra mesmo. Assim podem me atirar em vidraças. Assim podem me tirar do caminho. Assim eu fico ali, onde deixar.

O legal de ser pedra, agora que eu sou pedra, é que pedra não envelhece. Pedra fica ali.

O ruim de ser pedra é que dá pena. Pena é leve, pedra pesa. Essas lágrimas de pena pingam, e, gota a gota, são as únicas coisas que podem foder de vez uma pedra. Bate, bate, fura.

A Química da Pedra:
— Pedra ama?
— Não.
— Pedra ri?
— Não.
— Pedra vive?
— Não, pedra só fica, meu.
— Ser pedra é dureza...

A Biologia da Pedra:
Agora que eu tento não ser mais pedra tá difícil pra caramba também. Tô me derretendo. Tô despedrando. Despedrar dói, tô tentando. Desespedrado. Ex pedra é lama pura.

Ai de mim se virar gente denovo. Vou virar um tipo de gente-lama, gente pedra, gente-fina. Ando mesmo preocupado com isso.

Um raio de sol, bate na lama. A sementinha que caiu do cu do passarinho, a que tava no meio da merda, exibe sua graça em duas folhinhas fofas que um dia serão uma bela árvore.
Vão nada, a lama sou eu e eu barbeio o brotinho com Prestobarba Plus. Eu sou terrível! O grotesco Homem-Ex-Pedra!
Ahhhhhhhhhhhhhhhhg!

O Rap da Pedra:
É isso aí rapaziada
Sabe como é
Não queiram ficar com uma pedra no pé

Eu sou a pedra no rim dessa sociedade
Me mijar dói
Mas é necessário
Depois é só dar descarga, seu otário

Pe-pe-pe-pedra
Pe-pe-pe-pedra
Pe-pe-pe-pedra
Pe-pe-pe-pedra pedra pedra...

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Sobre amar de longe



Eu te sonho, você me sonha
Não se preocupe eu vou te encontrar
No meio deste sonho, vou me aproveitar de ti
E te pegar pra mim...

quarta-feira, 10 de junho de 2009

As Cidades

Olhos D'água:

Boi. Foi essa a palavra. É que tinha muito boi em Olhos D'água, acabaram chamando mais atenção que os cansativos papai e mamãe. E "boi" foi a primeira palavra que eu falei.
Acordava cedinho e montava aquela égua branca que eu detestava e caía no sono. Fazia um friozinho com uma neblina que eu detestava. Quando o sol batia no meu rosto, a égua, com que guiada por piloto-automático, já estava parada em frente à escola Geminiano Ferreira de Queiroz, onde eu nunca aprendi nada.
Em Olhos D'água eu aprendi a falar "boi" e outras coisas. Aprendi a matar passarinho. Aprendi que coruja não se mata. Aprendi a entrar num rio e ir descendo ele até chegar em outro rio. Aprendi a pular dentro de uma erosão de vinte metros de altura e se enterrar na lama. Aprendi a engatinhar, a andar e depois aprendi a andar por muitos quilômetros.
Olhos D'água não existe direito.


Brasília:

Essa cidade pode ser toda sua, basta ir lá e pegar. Ignorando a ordem, as linhas retas e a paisagem insossa, um tipo de vírus faz com que as pessoas entendam tudo ao contrário e projetem os sonhos pra muito longe dali. Mas muito longe dali é qualquer outro lugar.
Essa cidade perdida guia em silêncio um país inteiro!
Aquele ar seco foi o primeiro que respirei. Quando eu lembro do gosto de areia e do ruído desesperador que ela faz nos dentes eu lebro também de Brasília e seus playgrounds decadentes. Foi onde eu provei areia, formigas, onde eu provei as drogas, onde eu provei meus primeiros beijos.
Em Brasília assuntos como arquitetura e política se misturam mais facilmente com qualquer outro.
Era pra lá que eu voltava, mas isso mudou.


São Paulo:

São Paulo é um mobilie que você pode destrinchar e montar como bem entender. Em São Paulo não existe tédio. Em São Paulo as pessoas se vestem bem e ficam felizes fazendo isso.
O jeitinho idiota dos paulistanos falarem engana um pouco a respeito deles, e não engana também.
São Paulo não dá saudade, dá um tipo de abstinência. Como qualquer droga potente, te leva ao limite da diversão com um risco considerável de se meter numa bad-trip.
Não julgue São Paulo, ou você está lá ou não está.
Do jeito que eu sempre quis, São Paulo foi isso pra mim. São Paulo me ensinou, não a ser responsável, mas sobre o quão irresponsável eu sempre fui. De resto, Sampa, que pode esinar de tudo a qualquer um, se anula no excesso e depois de um tempo vira aquele colosso com o qual você já se acostumou. São Paulo foi um tipo de Irmão mais velho.

Berlim:

O passado morreu aqui, muitas vezes, mas é aqui também que o futuro nasceu, é aqui que ele é criado e mimado por todos.
As manhãs têm cheiro de chocolate e amêndoas, as noites cheiram a kebab e curry.

É de Berlim que sinto saudade e onde meus sonhos têm endereço fixo. A cidade ensina que a gentileza vive, muito bem guardada, atrás daqueles olhares gelados. Em Berlim aprendi a apreciar novos tons de cinza, tantos. Em Berlim reaprendi o que é andar de bicicleta.
Eins, zwei, drei, vier, fünf, sechs, sieben, acht, neun, zehn. Aprendi a contar até dez pra suportar o frio.
Berlim me ensinou a ser mais simples e a detestar o descontrole. Me abriu os olhos para a possibilidade de projetar a loucura à perfeição.

Luanda:

O excesso inescrupuloso. Os humanos estão lá, aos montes, começando e acabando com tudo ao mesmo tempo. Rios de dólares, esgoto e lixo se misturam aos curtos e intensos ciclos de vida de quem sobrevive em Luanda. Gratuito aqui só o caos.
Em Luanda aprendi a me desencontrar. Aprendi que tem gente que morre de feitiço. Aprendi que o ar tem cheiro, cor e sabor. Em Luanda aprendi que o buraco é mais embaixo. Depois de Luanda não tem mais problema nenhum.
Não se engane com o lindo nome dessa cidade. Ela vai te devorar e provavelmente te cuspir quando lhe apetecer. O pior é que você vai adorar.


Maputo:

Tenho trabalhado nisso.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Não tem o que fazer hoje?

  1. Recolha um punhado de musgo e retire a maior parte de terra possível.
  2. Coloque algumas lajotas de cerâmica dentro de um local com água e deixe por um dia para que fiquem totalmente úmidas.
  3. Prepare em um local com sombra uma(s) bandeja(s) com um pouco de água onde serão colocadas as lajotas.
  4. Coloque o musgo dentro de um liquidificador e acrescente meia colher de sobremesa de açucar.
  5. Acrescente um pouco de água e bata. Se ainda estiver muito pesado, coloque mais um pouco de água até que forme uma pasta verde.
  6. Sobre as lajotas coloque uma tela como as de mosquiteiro. A tela deve estar úmida e ficar bem estendida.
  7. Com pincel ou espátula passe a pasta de musgo sobre a lajota.
  8. Mantenha sempre a umidade na(s) bandeja(s) com a(s) lajota(s).
  9. Fertilize com frequência. Agora é esperar. Fique atento as lajotas pois elas absorvem bastante água. Com o tempo o musgo irá se desenvolver e poderá ser usado levantando-se a tela e cortando-se a quantidade necessária, não é preciso tirar a tela. Com o tempo ela apodrecerá.
É assim que se faz musgo! Musgo é tudo, né gente?

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Era uma vez, um edredon de zebra...



Por causa do aparelho Ele fala esquisito e baba um pouco. Dorme logo.
O Outro tira as calças e fica de cueca enquanto os pés, pretos demais pra um japonês, se fazem notar por todos, mesmo no escuro.
A menorzinha é a Maior anfitriã que existe, arranca sorrisos, inspira anedotas e desperta interesse dos dois.
A Japonesa, por sua vez, fica com a cara mais redonda ainda, com a pele mais macia ainda, e quando menos se espera tá lá beijando mais um.
Ele liga e logo a Outra tá lá. Tem as melhores piadas, na minha opinião, e tem siricutico. Vai embora antes e dá meia-volta antes também.
Alguém me chama do outro quarto, briga comigo e me ama. Acorda, conta piadas ainda melhores que as melhores da Outra e volta pra dormir só pra me chamar e me amar mais depois. Alguém me ama.
Ele e o Outro resolvem sair às compras, eu me concentro na manutenção da Bohêmia preta e umas Heinikens pra Ele.
É aí que Ela aparece dançando dum jeitinho tão gracioso que fica mais fácil dançar igual a ela que falar seu nome. Só pra molhar o céu da boca...
Sua Ex contava piadas tão ruins que o quarto ficava com cor-de-cara-de-palhaço-atropelado. Tinha graça.

Alguém vai comprar comida. Ninguém come. Ninguém se sente bem demais pra comer.
Na cama sempre couberam Uns e Outros a mais, e depois de três dias iam Todos embora...
Todos, Ele, Ela, a Outra, a Ex, a Japonesa, a Maior, Alguém, Eu, Uns e Outros nos divertíamos mais que Ninguém. Ninguém era qualquer um longe um do outro.

Uns meses atrás, fomos felizes pra sempre.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Produção, traz por favor...


  • Duas toneladas de areia de rio
  • Um imbondeiro
  • 300 livros antigos
  • Dois projetores
  • Um parquinho de diversões
  • Uma cesta de basquete
  • Dez bolas de basquete
  • Uma trave de hockey
  • Uma trave de futebol
  • Dez bolas de futebol
  • Um tapete vermelho
  • Um violoncelo
  • Uma xingovia
  • Três cavaletes
  • Umas melancias
  • Umas bananas
  • Umas conchas
  • Um feiticeiro
Pronto, põe tudo ali no cantinho.
É isso, valeu.

Sobre esse mundo sem porteira

terça-feira, 26 de maio de 2009

Hein?

Porque 13% das pessoas que acessam o Blog são de Portugal?
Porque 3% são da IRLANDA?????????????
E a Austrália com seus 1%?
*Agora, dias depois de ter escrito isso, me dei conta que essa imagem fica mudando automaticamente... Burro.

A fonte é o Site Meter.

Nice Work If You Can Get It



O conceito da campanha mudou completamente. Cigarro. Café. Pensa em algo novo. Cigarro. Café. Penso. Cigarro. Café. Reunião com o realizador, produção, chefia. Cigarro. Café. Já fez isso antes? Claro que não! Cigarro. Café. Cliente aprova. Cigarro. Café. Chega em casa. Cigarro. Vinho. Faz musiquinha, canta, arranha. Cigarro. Vinho. Recorta papel pra colar no espelho da sala. Cigarro. Vinho. Arranca tudo. Cigarro. Vinho. Pensa em algo novo. Cigarro. Vinho. Cigarro. Desmaia. Despertador. Café. Cigarro.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Meu post preferido

Esse é um link pro post que mais diz sobre esse blog.
Só pra lembrar.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Coisas que tornam a vida insuportável na África




Eu vou falar mal de pessoas aparentemente sem problemas na vida que vêm pra cá aparentemente em troca de motivo pra reclamar. É extremamente cansativo lidar com a falta de papo causada pelo uníssono de queixas sobre problemas tão óbvios quanto o ar que respiramos.
Será que é preciso explicar que quando uma pessoa não escova os dentes seus dentes caem?
Que quando ela não tem dinheiro não come, não mora, não pensa?
Que crianças carentes são, por definição, CARENTES?
Que tudo isso parece mais não é o Capão Redondo?
Que aqui não é, nem de longe, literal e figurativamente, o Brasil?
Que viver enfurnado num apartamento-réplica de uma morada de classe-média padrão te torna prisioneiro de um universo inteiro?
Que periférico aqui não é FAVELA, são sim NOSSAS CASAS.
Que, ao contrário das milhões de pessoas comendo merda pra viver, vocês se isolam só pelo fato de serem tapados?

O que levarão de volta?
Dólares?
Só?
Bestas!

Eu vou falar mal dessas pessoas agora. Das que falam mal. Dos que não respiram se não tiver inseticida no ar. De gente que eu suportei por meses me enchendo o saco do começo ao fim do dia porque a mesma falta d'água do meu banho estava tornando sua existênciazinha descontextualizada insustentável. De amigos queridos. Aos que já foram e ficam se lamentando por não estão aqui, desejo o meu mais sincero foda-se. Aos que ainda estão aqui, que se toquem, que toquem mais os outros também, que se divirtam. Aos arrependidos, que voltem, essa chatice de vocês faz falta às vezes...
Um beijo especial pro X, que me infernizou a vida a cada manhã, tarde e noite e agora inferniza porque não tá por perto.
Outro pra Mayra que conseguiu ser a pessoa mais mal-humorada que eu tive o azar de conhecer e mesmo assim é uma das melhores amigas que se pode ter nessa vida.
Pro Carlos, que eu só vi uma vez numa casa granfina de embaixadores limpos. Limpos demais pra Luanda... Por ter me dado uma dica de diplomata de sobre como lidar com extorsão policial da maneira mais correta e ainda se safar. Um beijo, você inspirou essa conversa.
Pro Prado que não tem blog nem nada mas é o exemplo máximo do quão criativamente irritante alguém consegue ser em relação ao tema. Mesmo assim morre de saudades disso aqui, assim como isso aqui sente saudade dele, por mais que nem um dos lados admita.
Pros cinco mil trabalhadores brasileiros da Odebrecht que por um pânico institucional vivem às sombras de seus condomínios e contêines doentios.

É isso, vão se danar!
Saudades.



Teu cu

www.teucu.com

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Tirar da mala


Eduardo Mondlane dando um rolê na selva


Aí você saca a pasta de dente da nescessarie e não tem que pôr de volta. Gruda os mapas na parede e quando volta da labuta eles caíram todos, a fita-cola não é das melhores. Subindo os oito lances de escada não fica muito claro para onde estou indo. Abrindo o cadeado da pesada porta preta de ferro eu penso duas vezes, "casa, casa?". Casa. Essa pérola incrustada no cortiço que por aqui é prédio mesmo. Já tenho um sítio pra curtir meu tédio com dignidade. Vou plantar um pé de maracujá. Fim-de-semana bom, pano de chão, edredon. Será que chegou a hora de assumir onde eu tô? Será que eu tô mesmo no 4º andar do número 280 da Avenida Eduardo Mondlane, no bairro da Polana, em Maputo, Moçambique, aqui no sul da África? Não, não, melhor não. Tô no mundo e pronto, e é bom nem lembrar o nome do planeta de vez em quando pra não se perder na lógica sacana que movimenta as coisas. Portanto, esqueçam de vez esse post, essa conversa nunca aconteceu.

Câmbio, desligo.

Mas não desliga. O walkie-talkie apita sem parar e as janelas continuam abertas. O blog maldito continua aqui sugando meus dedos que surrupiam pensamentos transformando tudo em margarina no pão. A frase aí atrás saiu sozinha, desculpa... Antes fosse louco, assim não parecia idiota. Quem dera um pouco mais idiota, aí eu enlouquecia de vez, e tudo bem. Minha cabeça tá ficando vazia, agora eu sou uma maquina de fazer revistas e só. Tô feliz pra burro com isso. O vizinho ontem me deu haxixe, aceitei porque ele quis ser simpático me oferecendo aquele excelente haxixe da Somália. Mas não vou fumar porque detesto.

Tchau.

Oi, tô de volta. No caminho pro trabalho cruzo dois quarteirões. Compro abacate, banana e castanha de caju. Me meleco todo tentando transformar essas coisas num café-da-manhã dentro da van lotada até o ladrão. De novo atrasado, dou tchauzinho e um sorriso maroto pro chefe que não me entende nada, portanto não me incomoda. Eu gosto daqui e não ligo pras pessoas. É muito bom escolher o tom da solidão. Sorri pra cá pra lá, toma uma cerveja e o resto que se dane. Tô mesmo sozinho e isso é o que interessa. Só, só, só, só, só, só. Dá medo, dá dó, deixa tudo melhor. Uma hora passa. Uma hora passa depressa.

Agora chega, né?

Não! Tem explicação! Saudade, a carruagem doutrora, a diarreia, a amora. Minh'alma, minhoca. Te dou uns pipoco e acorda com a boca cheia de formiga. Tenho sentido muita falta de cozinhar. Preciso aprender a preparar lagosta. Hum, lagosta, poxa, que saudade de todos, de tantos, de você, meu bem. Saudade de comer lagosta com você, que nunca comeu lagosta nem nada, mas gosta de biscoito de polvilho. Te amo.

Acabou o post?

Acabou.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Uau!

Eu fiquei com inveja do layout que eu mesmo fiz pro Candongueiro. Aí eu mudei as coisas por aqui também.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Este Blog é meu!

tem senha e tudo

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Kuduro é o futuro

Se restava alguma dúvida, eis o motivo pelo qual eu sinto saudade louca de Angola às vezes, ou, eis a saudade louca musicada...



Quando eu entro o palco se move,
Talento aqui chove,
Claro que o povo me ouve
Sou Pongolove
Estou com a Buraka
Abro a fronteira
Não digo lixo
Nem digo asneira
No microfone sou a primeira
Vou levantar a minha bandeira

Angola o mundo cobiça
Mas é o povo que te enfeitiça
A Pong no beat capricha
Porque sou rara tipo welwitchia
Sou mesmo eu a dama ngaxi muito agressiva
Me derrubar nem com macumba
Sou criativa

A Buraka é que está a cuiar
Sai fora!
Pongolove é que esta a bater
Vão se embora!


wegue
wegue wegue wegue
são piadas
wegue
wegue wegue wegue
novo esquema

Rima pesada
Tipo embondeiro
Eu faço o que eu quero
Canto para Angola
E para o mundo inteiro
No kuduro impero

Sou palanca negra gigante
Sigo a passada de Njinga Mbandi
Sigo a corrente do Dande

Logro o feitiço de Tomé Grande

Por no mapa Oxaena
Terra de grandes nomes do semba
Arraso tipo kalemba
Sou de Angola como a mulemba

Mano jukula
(kimbundu)
Mambo exclusivo
Toque de Angola
(kimbundu)

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Gente fina, gente poderosa, gente que interessa


Aposta milico-rubro-comunista no guarda-roupa do reinado: tendência

Muito sol, muito agito e muita azaração marcam esse domingo inesquecível no estádio de Manzini, na Swazilândia.
A Nação Swazi se reúne eufórica para saudar o glorioso Rei Mswati III no dia em que completa 41 anos. O estádio, que já não anda bem das pernas, treme a cada salva de palmas que, por segurança, são cada vez mais tímidas, a medida em que o exercito de uniforme vermelho lá em baixo dá mais uma volta separado por quatro blocos humanos e uma banda marcial, que teve o privilégio de contar com um playback para cobrir um surdo furado e tocar alguns instrumentos que no fim das contas não são de bandas marciais.
Na minha opinião o maestro inovou.
A Swazi dá mais um passo rumo ao século XXI inovando também nos efeitos especiais durante o desfile. Contando com três telões espalhados pelo estádio para mostrar os pormenores filmados ao vivo, a organização do evento resolveu apostar na "multimédia" ao introduzir em um deles um vídeo do astro pop inglês
Robbie Williams. Repare que o vídeo passava em apenas um dos três telões, ao mesmo tempo em que os outros dois mostravam a plateia, o rei dando tchauzinho, o tacape bacana de algum feiticeiro ou o turbante bonito de uma ou outra esposa real.
Robbie Williams ainda bombava no ecrâ quando um grupo de aproximadamente trinta criancinhas vestidas de anjo entram em campo para cantar uma canção para o rei. Quebrando as barreiras da música convencional, tradicional, experimental e da anormal também, a banda marcial swazi toca outra música ao mesmo tempo em que os anjinhos tentam desesperados encaixar um Parabéns Pra Você zulu num pam-pam-pam-pam marcial aparentemente equivocado tocado pela banda. Sabe como é, na frente do rei não dá pra parar, começou vai até o fim...
Na minha opinião o maestro inovou de novo, arriscando inclusive sua vida para tal.
Mswati III, ou só III pros amigos, esbanjou requinte e elegância usando um saiote de leopardo fresco caçado uma semana antes especialmente para o evento. O penacho preto e vermelho tá super em alta e não podia faltar esse ano. Escudo tá usando também.
Por fim, a multidão maravilhada vibrou à passagem de um helicóptero, chamado por alguns de lata velha (eu gostei, achei retrô), que passou jorrando uma fumacinha azul e outra vermelha, cores que, como quase todas as outras do arco-íris, fazem parte da bandeira swazi.
Do lado de fora a sofisticada gastronomia nacional podia ser desfrutada em micro-restaurantes que ali no asfalto mesmo serviam banana, abacate e uma espécie singular de hot-dog com alface.
Tudo de bom.

Centenas de pessoas empuleiradas: o importante é ver o Rei passar

sexta-feira, 17 de abril de 2009

tempo, espaço, cutícula



Aqui onde eu moro da pra sentir a velocidade do mundo, porque aqui é fora do mundo. Dá pra ver a terra azul, um azul meio cinza pra ser mais exato. Daqui eu ouço o eco das vozes de pessoas queridas, esses aliens distantes. Aqui o tempo é medido pelo piscar dos meus olhos e o amor so se traduz em lágrimas que chegam sempre sem aviso. A saudade rasga-me a boca com alguns sorrisos tímidos. Este é o lugar onde cheguei mas definitivamente é um lugar de onde vou partir. A paz, a beleza e a calma dessa atmosfera suga-me todo o tormento que cultivei com tanto carinho. Abrir os olhos e enxergar tanta luz não e pra qualquer um. À medida em que crio raízes em terras tão distantes vejo de cima os frutos que caem ainda verdes e deformados. Aqui de cima e fácil ver tudo, a vida, a gloria, a miséria, os quatro cantos e outros mais. Difícil mesmo é enxergar onde é aqui. Aqui preciso mais de mim e menos de eu mesmo. De vez em quando cruzo com o tal por aí e nem falo nada, só de raiva. Outras vezes tento ficar mais próximo e tudo, mas não resulta, o sujeto é irredutivel. Por aí é aqui dentro mesmo. Tô de rolê procurando o formato das coisas. Forma, função, criação. É mesmo fácil se deixar seduzir por esse tipo de bobagem. Essa vida aqui, por exemplo, tem forma de nuvem às vezes: Forma de nuvem com formato de pistola laser quebrada passando bem rápido. Forma de nuvem com formato de ursinho-macaco-cachorrinho-brincando-de-bambolê-com-cara-de-caveira-e-de-fusca, descendo devagarzinho. Forma de nuvem com formato de nuvem mesmo, mas nuvem bonita. Forma de nuvem feia também. Difícil é achar um espelho pra nuvem. Cruzamos esses céus sem nos dar conta que o povo escoriado por nossas tempestades lá em baixo pode achar essas formas bem engraçadas, pra ser sincero. Quase toda nuvem tem forma de banana amassada, só que não dá pra generalizar. Ok, respira fundo agora porque tá sangrando! 1, 2, 3, morreu. La vai mais um sonho, todo moído, todo morto, mas a sujeira some com ele, não, não é que nem gente que morre e apodrece. Aqui é assim pelo menos. Gente dá pra fatiar sem matar também, só que dá um trabalho imenso colar os pedaços depois, faz sujera e pode estragar. Eu mesmo tô todo torto porque um pedaço obsoleto do cotovelo direito foi inadvertidamente colado com fita dupla-face entre as duas primeras vértebras contando da cabeça pra baixo. Tá mais difícil ainda olhar pros lados agora. Deve ter cura, vou ver no Google. Depois, tem esse silêncio todo aqui. Aqui eu quebro ele em pedacinhos bem pequenos usando o teclado e o mouse. Faz tec, tec, tec, click, click e pára de silêncio. Não é nada difícil isso. É que tem umas formas que eu achei mesmo, tive algumas idéias, mandei pro departamento de marketing, orcei e agora algumas pontes estão sendo construídas e o tempo das espetaculares demolições parece ter dado uma trégua. O tempo dá trégua às vezes, o espaço é que não pára nunca, tá sempre ali. Já volto.

domingo, 12 de abril de 2009

Post de Blogueiro (um descontrole)


"Passa o bisturi e me explica porque voce me traiu com o veterinario"

Que semana hein gente! Vcs saum tuuuuuuuuudo di bom! =)
Hoje eu nao vou falar de misehria nem de pessoinhas multiladas fihsica e emocionalmente pela guerra ou pela violencia domehstica. Acontece que eu cometi alguns erros crassos que se misturaram a esse destininho boboca que me conduz e acabei sem dinheiro ou comida. Aih neh, aqui no hostel onde estou hospedado tem cerveja, e cerveja eh tudo o que tenho almocado e jantado nos ultimos tres dias o que tem me deixado com esse temperamento, hum, fofo.
Descobri um seriado que eh d+ na tv, e devido a total falta do que fazer e a quase incapacidade fihsica para caminhar pelas ruas eu tenho passado metade dos meus preciosos dias sentado no sofah assistindo televisaum. A outra metade eu passo falando "Im from Brazil, but was living in Angola for six months", chego a sonhar com essa frase... Gente, voces jah assistiram Greys Anatomy? Tenho que me segurar diariamente pra nao chorar na frente dos backpackers que sentam na sala pra assistir comigo as maratonas da serie que passa na FoxLife daqui. Outra coisa que eu tenho a-do-ra-do-fa-zer eh sentar pra fumar na escada ali fora e ficar conversando com um poodle fedorento que mora ao lado.
Tenho que me manter em peh e sem desmaiar porque as quatro horas daqui comeca a maratona de American Idol, e com esse programa nem adianta, eu choro mesmo na frente de todo mundo. :( Calma gente! Choro de alegria! =D
Essas sao as licoes que a vida dah pra gente. Quer dizer, de que adianta viver num pais miserahvel se passamos os dias gastando a fortuna obscena que ganhamos aqui com lagosta e vinhos de exelente qualidade? A vida me ensinou que nao adianta nada e que no fundo somos mesmo muito alienados e talvez um mal pro paihs. Por outro lado o WsternUnion me ensinou a ser esfomeado e sem dinheiro retendo minha grana por uma semana inteira o que definitivamente nao abriu meus olhos e meu coracaozinho pra realidade que me cerca. Amanha fica tudo resolvido no banco e eu vou jantar atum fresco como molho de manteiga acompanhado de um exelente Klein Constantia Blanc Sul-africano.
A gente se fala! bjuuuus!!!!!!!

"Com esse vozeraum voce vai longe garota!"

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A pessoa estupida

7 8 9
4 5 6
1 2 3
0
  • A pessoa estúpida está sozinha num pais desconhecido.
  • A pessoa estúpida tenta acessar a sua conta bancaria via internet num cyber café que fica em cima de uma pastelaria.
  • A pessoa estúpida mandou todo o seu dinheiro via WesternUnion para sua própria conta bancaria, agora depende totalmente do seu Visa Electron.
  • Ao tentar acessar sua conta a pessoa estúpida erra três vezes a senha bloqueando o acesso via internet.
  • A pessoa estúpida faz uma ligação internacional pra tentar falar com seu banco e resolver a situação.
  • Ao tentar acessar sua conta via telefone a pessoa estúpida erra três vezes a senha de seis dígitos bloqueando totalmente seu cartão de credito.
  • A pessoa estúpida tem muito dinheiro, mas não tem nenhuma maneira de usar.
  • A pessoa estúpida tem medo dela mesma...

sábado, 28 de março de 2009

9.758.375 sorrisos

Agora vai ser assim: você daí eu aqui. Tente lembrar da minha cara grudada na sua, das máscaras e fantasias que esculpimos com suor e saliva. Tenta lembrar que essa dsitancia foi inventada pra nos manter ainda mais unidos. Tente se lebrar dos 9.758.375 sorrisos que demos um pro outro. Lembra que somos jovens e erraremos muito antes de nos tornar velhos determinados e vulgares. Lembre que estamos juntos. Lembra que temos um futuro inimaginavelmere promissor pela frente e de que precisamos mesmo estar juntos pra que algo de bom aconteca. Lembra da mulher que eu conheci e roubei pra mim. Lembra desse homem que te roubou. Lembra, nao esquece, nem so por um segundo do quanto eu te amo. Lembra...

quarta-feira, 25 de março de 2009

Sobre isso aqui



Aqui
as pessoas são suaves e parecem enfeitiçadas por uma magia que
deixou tudo mais lento. O Sol aqui é radiante e as sombras das acácias refrescam suavemente o delicioso tempo. As pessoas economizam sorrisos e parece que não falam língua alguma, estão inventando a própria ainda. Tem muita gente incrível por aqui. Tem muito tempo pra tudo e mil jeitos de se divertir. Tem algo no ar que eu ainda não entendi. Aqui dirige-se ao contrario. Aqui é o outro lado. Estou odiando tudo...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Velhote show de bola procura*



ilustracao em 3d (ou mais)

Assim,
Depois de passar 36 anos fazendo um trabalho brilhante como assessor de sub-secretário de turismo de Salvador me senti preparado para me dar aquela guinada na vida. Dei um tapa no visual, comprei uma meia laranja, uma calça verde musgo, várias camisas vinho —pra combinar— e pintei o cabelo de acaju com o WELLA COLOR PERFECT DEEP BROWN 4/77. Fiquei mesmo um garotão! Pronto, o caminho natural para um ex-assessor de sub-secretaria de turismo na Bahia é mesmo se tornar editor de jornal de economia na África. Arrumei minhas malas, me despedi da família, mandei um recado pro orkut da amiga adolescente da minha filha que eu pagava pra chamar de namorada e me piquei pra Angola.
Aqui em Luanda eu tive a oportunidade de lidar com outro lado da vida. Um mundo cheio de possibilidades, onde eu poderia ganhar um dinheirão, ser chefe de alguém e finalmente parar de ser humilhado pelas mulheres, amigos e qualquer um que olhasse minha cara. Não tendo amigos, não tenho ninguém pra me humilhar, tendo grana eu posso pagar pras mulheres fazerem o que eu quero, mesmo que por um ou dois minutos...
Me adaptei facilmete a cultura local também, parei de escovar os dentes de vez e os dentes que já faltavam em minha boca tão super na moda por aqui. Culto, reservo as noites para me atualizar e enrriquecer meu intelectuo assistindo àquelas séries magnificas do AXN.
Apesar de não ter a mínima idéia de como fazer esse trabalho eu tenho uma sala só minha e posso passar o dia todo dando ordens arbitrárias pra quem eu quiser. Me cago de medo dos chefes angolanos, mas com o knowhow adquirido no funcionarismo público brasileiro não é difícil fingir que está tudo bem. E está tudo bem! Algo me diz que essa crise financeira mundial já vai passar, que Angola está imune a ela e que minha idéias são brilhantes! É isso que eu tento passar no meu jornal.
Tenho 66 anos, mas pareço ter 63 e estou prcurando alguém pra dar um sarro. Ganho uma quantia obscena de dinheiro e isso é tudo o que eu posso dizer sobre o meu potencial romântico.
Quem quiser me achar, escreva pro dono deste blog com o subject: Periguete Com Uma Foice Procura.
Vou ali demitir alguém e já volto.
Beijo


*Os personagens citados neste texto são fictícios. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

quinta-feira, 5 de março de 2009

"Agora todo mundo junto!"

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Saneamento de lágrimas

O menino nem notou munha presença. Enfiado naquela poça d'água, chorava calado enquanto se lavava dentro de um buraco no meio do asfalto, no centro da cidade. Ficava difícil compreender onde as lágrimas começavam e a água acabava, ficava difícil de ver oque era a lama e oque era a vida...



...Depois ele meio que me viu, eu paguei uma grana por ele existir e fui embora esquecendo de tudo.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Freeway

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sábado, 28 de fevereiro de 2009

Subtração

Hoje me roubaram USD 500.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Don't get any big ideas...

video

...They're not gonna happen
You paint your smile
And fill the holes
There'll be something missing
Just when you found it
It's gone

Just when you feel it
You don't
It's gone forever
She stands stark naked
And she beckons you to bed
Don't go, you'll only want
To come back again
So don't get any big ideas
They're not gonna happen
You'll go to Hell
For what your
Dirty mind is thinking
And now that you found it
It's gone
Now that you feel it
You don't
It's gone forever

Nude: Radiohead

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Tchau João!

video

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Alabama Poliana

Humilde composição, tenta exprimir tudo o que sinto de maneira geograficamente sucinta.

Intro:
Am Gm Ed# Am7# b5/7 Dm4/7/g# E/4/9/

E Am
Alabama, Poliana
E Am
Alabama, Poliana
E Am
Alabama, Poliana
E Am
Alabama, Poliana


E Am
Alabama, Poliana
E Am
Alabama, Poliana
E Am
Alabama, Poliana
E Am
Alabama, Poliana

Am Gm Ed# Am7# b5/7 Dm4/7/g# E/4/9/

E Am
Alabama, Poliana
E Am
Alabama, Poliana
E Am
Alabama, Poliana
E Am
Alabama, Poliana


E Am
Alabama, Poliana
E Am
Alabama, Poliana
E Am
Alabama, Poliana
E Am
Alabama, Poliana


E
Alabaaaaaaaama
Am
Pooooooooooliana

Am Gm Ed# Am7# b5/7 Dm4/7/g# E/4/9/

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Primeiras impressões

Sobre Africanos:
video

Sobre Amor
:
video

Sobre Dormir:

video

Sobre a Música:
video

Sobre a Cidade:

video

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Obscenidades


Aquilo é sangue ou chocolate? A Yola acredita que as mulheres brancas têm mais órgãos, e órgãos diferentes do que os das mulheres negras. Todo mundo aqui já tomou pica no rabo e não gostou. Uma noiva custa uns dez mil dólares. Ontem eu vi um cara morto. Depois da chuva a cidade derreteu, muita lama agora.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Todo o regresso, PIM!, Para o sucesso, PIM!...

video

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009



A paquera

"Que tal uma bola de vôlei? Assim podemos deixa-la cair perto daquelas miúdas na praia. Quem sabe as miúdas se impressionem como nosso deixar-cair-de-boa faceiro, ignorem nossos corpos gelatinosos e velhos, a pintura acaju em meu cabelo e nos dêem um pouco de amor, boceta e smegman."

A manchete
"Que tal uma capa assim, vermelha, ou com outras cores chamativas, aí você faz assim, um Tio Sam narigudinho, sabe, descendo montanha-russa abaixo, pode ter as roupas meio estropiadas e tal. Aí, você faz um Brasil e uma Angola num outro carrinho, andando reto, ou descendo só um pouquinho, assim, com uma brisa fresca na cara... Vê aí como fica."

A equação
"Que tal se mudássemos o nome dessa sessão X que fala sobre livros, música, bares e entretenimento para Y? Aí fazemos um box no meio e colocamos tudo relativo a livros, música, bares e entretenimento dentro dele. Aí sim, batizamos o box de X, com uma letrinha menor e tal. Só não sei direito o que fazer com tanto espaço no resto da nova sessão Y."

A ousadia
"Que tal se ignorássemos o projeto gráfico do jornal? Assim inovaríamos, colhendo os louros da vitória e as críticas aos erros."

A maximização
"Que tal pegar essa legendinha aqui e aumentar um pouco o corpo?
Assim.

Mais um pouco.
Mais.
Pára agora.
Um pouco mais.
Assim!
"

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Onde mora a saudade?



Depois de terminar mais um dia de trabalho na Demolições de Castelo de Carta S.A me dirigi ao consultório médico do imbondeiro aldabrão. É que minha minha barriga, cansada de empurrar o mundo, está congelando. O coração teima em sair pela boca e não esquenta mais nada. O frio piora a medida em que os pensamentos escoam goela abaixo, inundando tudo com neve derretida por todo esse fogo de palha que sai da boca. O doutor prescreveu: "Com tanta solidão, até que seria bom aprender o que é saudade. Talvez ela queimasse melhor que palha, falta, preguiça ou descaso, movimentasse as correntes térmicas do seu mundo, mantendo a cabeça-polar bem fria e um peito estufado nos trópicos". Se ao menos eu soubesse onde ela mora. Paguei o doutor com um olhar misericordioso e desci pra fumar e ir embora. "Queperetequerep
êêêêêêêê!!!", gritava aquela vendedora de peixe, maldita, e eu esqueci tudo o que o doutor me disse. Vou voltar as órbitas dos olhos pra cima pra tentar ver minha nuca vazia. Vou me alongar. Vou falar besteiras, bem alto, no fundo da piscina do trampolim. Vou conquistar o topo de uma montanha de entulho. Vou dar uma volta e ver se me encontro por aí...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Dias sem luz

Trrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrruuuuuuuuuuuuuummmmmm... POF! O gerador se foi, com ele a luz da redação. E a luz se foi em muitos sentidos. O editor responsável pelo fechamento do especial de fim de ano ao qual fui designado a fechar está com o braço desfigurado por um tipo de tendinite que só se dá por essas bandas. O novo chefe, o da semana, goza de uma inteligência ímpar, tão aprimorada que o torna incapaz de se comunicar de maneira inteligível com gente burra como eu. Montamos a redação em casa, ainda banhada de luz, onde se pode fazer xixi, onde se pode pisar no chão. Redação, reunião, apagão, descontração, jacaré yemanjá: "maracujá e felação".

9:00h - Café da manhã (pequeno almoço) tomado, banho tomado, espírito tomado de boa vontade e disposição para trabalhar.

9:01h - E-mails começam a ser trocados, telefonemas: uma redação sem energia elétrica e uma equipe afinada que começa a errar certas notas.

9:30h - Com nosso próprio equipamento vamos empurrando layouts com a barriga, apagando fogueiras e tentando entender como tudo isso pode estar acontecendo. Afinal, quem aqui não tem um jornal pra fechar hoje?

10:20h - Parece que teremos um jornal, talvez o primeiro deles, fechado totalmente em casa. Meio vestidos, meio de pijama, mãos na massa, os arquivos perdidos num limbo sem eletricidade e uma equipe inteira dispensada. Não somos mais consultores, somos nossos chefes, assistentes e subordinados, ainda assim, somos uma equipe.

12:15h - O motorista que levava sr. G para buscar o laptop em sua casa foi detido e preso pela polícia por motivos ignorados.

13:40h - Voô para a redação, e em aproximadamente 55 minutos percorro os três Km que a separam de minha casa. O objetivo é, com as UPSs carregadas, ligar a rede e fazer backups das fotografias que precisaremos pra fechar o jornal em casa.

14:50h - Sou obrigado a roubar o servidor da empresa onde todos os backups estão gravados e levar pra casa. Aproveito pra levar uns computadores e o scanner também.

21:30h - O primeiro e único jornal de economia do país é fechado na sala de nossa casa...

Hakuna Matata


Na selva de entulho e lixo de Luanda uma matilha de bestas selvagens luta pela sobrevivência.
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Sociais, esses seres se organizam como podem em pequenas tocas, ou redações. Em caótica simbiose, jornalistas e designers rastejam na lama em busca de notícias, layouts e fechamentos no prazo certo.
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Como podem observar, uma nova ninhada de bestas floresceu na última primavera, trazendo momentos de descontração e jubilo a matilha. Mas isso pode deixar os adultos preocupados, filhotes representam sempre uma ameaça ao grupo, tendo em vista que são mais frágeis e despreparados, ficam sujeitos ao recorrente canibalismo praticado por essa espécie.
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Um macho estranho espreita de relva, macaco velho, sabe que o golpe certeiro deve ser dado no pescoço do ancião dominante. O inevitável confronto se dá por meio de patadas hipócritas, e-mails afiados e demonstrações baratas de pequeno-poder.
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Nesta região inóspita do planeta, onde já não chove há meses, o sol frita os miolos, a energia elétrica é um conceito abstrato e a tão disputada internet castiga os usuários, tornando a vida um fenômeno raro e extremo. Mais um cacimbo se aproxima colocando em xeque o delicado equilíbrio da fauna e flora.
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Designers são animais oportunistas, astutos, usam de todo sua experiência em combate com clientes estúpidos para lidar com a ameaça da constante luta por liderança por parte dos machos dominantes. O maior risco é a decapitação. Impaciente, este bizarro exemplar prepara-se para a curta migração até a selva de pedra de São Paulo, onde uma fêmea espera ansiosamente para acasalamento.
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O maravilhoso ciclo da vida segue, implacável, onde o homem branco não tem vez e a kizomba castiga. Seja onde for, estaremos sempre presentes, documentando os desafios mortais enfrentados pelas bestas do mundo editorial.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Bom dia, sim

ilustração: Mary Emma Hawthorne


Aí eu acordei... Os pássaros lutavam ferozmente contra seu reflexo, no lado de fora da janela espelhada. Tive a impressão de ter acordado muitas vezes dessa maneira, tive a impressão de não estar em casa. Na cozinha os sons que vinham de fora anunciavam a morte, eu não entendiam o que diziam. Não-falavam, bem alto, não-falavam aos gritos lamurias sem nexo pelo morto deitado na casa do vizinho. Então cambaleei por ruas destruídas, com passo firme, cabeça baixa, suor pingando. "Bom dia, Obrigado, Yá". Gasosa no Salim, escadaria escura, baratas, crianças, gerador a diesel, ar condicionado, cacofonia de no-breaks exaustos apitando a escassez da energia elétrica. Almoço no Veneza, 2500 Kwanzas ou 40 Dólares: frango e arroz. Melhor comer em casa. Esgoto, multilados, buracos, ratos, mal-hálito, pobreza, riqueza, futuro, passado, ditadura, merda, azeite de palma, galinha à cabidela, quiabo, kuduro, saudade. ...Amanhã faz dois meses, e eu ainda não fui dormir.