terça-feira, 29 de junho de 2010

Próximo Capítulo



Cinco ou seis dias, já não me lembro.
É certo que nos dias de hoje os dias são marcados por
posts. Eu não lembro e não vou mesmo checar a hora ou o dia do meu último post.
Estou perdido no tempo.
Revejo agora mesmo ao primeiro filme que assisti do Almodóvar,
Tacones Lejanos. Me lembro da minha ex-ex-ex-namorada (a minha tataranamorada). Ríamos e nos excitávamos com as relações coloridas e esbugalhadas que se desenrolavam na tela, ao passo em que, adolescentes, burros e apaixonados, aprendíamos um pouco mais sobre como as coisas deveriam ser. É por isso que eu sou veado, é por isso que eu sou obcecado por mulheres. É por isso que eu sou heterossexual.
Valeu Almodóvar!
Já se passaram uns 12 anos anos desde que conheci aquela menina... O que une o agora àquele passado é um tipo de ignorância baseada no tédio e na pasmaceira. Eu morava em Brasília, agora moro em Maputo, São duas capitais decadentes do mesmo ex-império medíocre que ensinou português a uma boa parcela de fins-de-mundo. Meu estômago ainda dói também, naquela idade um médico chamou a dor de úlcera, ou úlceras. Duodeno.
Me sinto perdido e preso novamente, como se tivesse dado uma volta num imenso círculo. Está tudo de volta, sou adolescente outra vez, estou novamente diante da mudança. Os 30 se exibem bem ali na minha frente, sem forma.

Sobre o filme, Almodóvar fala de algo que eu gostaria que essa namorada de agora visse, de um monte de coisas que gostava que ela visse. Aí eu lembro que eu tenho medo, que eu gosto da ideia de uma mulher que não assistiu quase nada do Almodóvar – pelo menos não com meus olhos sujando tudo. Lembro que eu tenho medo, lembro que jamais me senti com tanto medo. Lembro que estou seco.

...

Gostava de ter algo pra apelidar de maldição, sina, carma, motivo. Queria mesmo ter algo pra culpar, mas não tenho. Só tem eu aqui, cometendo, comentando, postando.
Ano que vem faz 10 anos que não falo com ele. Aquele progenitor que eu detesto, detesto por ter amado tanto, por me fazer entender o que realmente é errado na vida, na prática. Por tornar as lições, todas elas, tão caras. Detesto por fazer parte de mim, por me fazer errar tanto, por me fazer pensar ao contrário fazer a minha vida parecer um longa-metragem vagabundo que sequer foi filmado.
Gostava alguém me dissesse como fugir daqui, como lidar com as mulheres que eu amo como se não existissem outras, ...tantas. Queria ser burro como ele.
Não vou cair na besteira de culpar os outros. Contando de hoje ao dia em que eu nasci, eu podia bem culpar a minha atual mulher, por ser imatura e estúpida demais pra desfrutar de um ou outro bom momento da vida, por ser portuguesa (isso num nível mais metafísico), ao meu ex-patrão, por ser um português estúpido que se converteu no tipo mais estúpido de moçambicano e destruiu qualquer esperança minha de fazer algo que preste nos últimos meses. Podia culpar Moçambique, por me infectar com genuínos pensamentos, sentimentos e esperanças racistas. Podia culpar Angola, por me desviar do caminho traçado em direção a Berlim e a improvável felicidade ao lado da minha ex-mulher, a Poliana. Eu podia culpar a Poliana, a Juliana, a Camila, a Denise, a outra Camila e a Nicole. Poderia culpar o sistema público de ensino no Brasil. Eu devia culpar a minha mãe, essa que me pariu, me criou e jamais me deixou perceber o que fez de errado... Freud Explica.



Mas eu não vou fazer nada disso. Vou surpreender o público escasso que assiste ao vivo à merda do meu filme, esse público que assiste ao drama, confuso. Vou fazer as pessoas chorarem de alegria e rirem nervosas enquanto aguardam ansiosas pelo final, isso que nunca há de chegar.

Merda!

2 comentários:

Sergio Aires disse...

chupa minha rolinha de 3 cm.

te amo, maiazé

Jandirainbow disse...

humpf... e a jandirinha aqui, necas, né. tá, nunca mais te faço raiva.

LOVE YOU FEIOSO!